Oi.
Estou aqui para dizer que talvez eu tenha esperado demais de você.
Você é inocente. Eu que fantasiei um sentimento inexistente. Fantasiei amor na ausência de um coração poético. Era só carne, eu sei. Mas mesmo assim, vislumbrei em mim um belíssimo conto de fadas.
Por favor, tente entender que até você haveria de admitir uma harmonia rara, olhares decididamente interessados, virtude numa amizade pouco comum.
Eu sei, "a" não é "b" e eu deveria ter deixado separadas as coisas que nunca haveriam de se unir(?).
Falhei. Lance tuas pedras se assim quiser, mas nunca poderás dizer que não te fui amiga em verdade, fidelidade, admiração, cumplicidade e me faltam palavras para descrever.
Meu pessimismo eu lancei ao mundo. Apostei novamente na pouca esperança que me restou para por fim adormecer na escuridão (isto aqui faz todo sentido).
Como sabes, devemos ser livres, tal como os pássaros o são. E como quem não pode te privar da alegria de tuas escolhas, preciso assegurar a minha de igual modo.
Ora, se esta tua alegria específica me causa infelicidade, tenho mesmo de carregar meus recursos e projetar meu caminho noutro lugar.
O que busco? Apenas paz.
Quero afirmar que se este negócio de amor existe, é bem provável que eu tenha te amado. Mas, como dizem, "tudo passa".
Aguardo pelo vazio subsequente tal qual a brisa num dia de calor. Escape. Liberdade da alma. Porque, como diria Camões, "Ele" é contrário à si mesmo.
Quero dizer adeus a quem amei. Quero dizer que todos os dias eu esperava ouvir de teus próprios lábios a reciprocidade no tocante ao que eu sentia.
Falhei? Eu não sei. Estou quebrada em tantas partes que nem sei como cheguei até aqui.
Pela primeira vez eu me sentia leve, com a impressão de ter encontrado meu lugar no mundo, a outra face de mim mesma: a sensação de estar em casa, mesmo que em lugar estranho, apenas por ter a tua insigne presença.
Receio que preciso realmente dizer adeus.
Minha alma ainda preserva um resquício de esperança que a faz pensar que você virá a desmentir minhas impressões desapontadas.
Aceite, minha alma. Ele não irá voltar. Aliás, ele nunca esteve aqui.
Lamento por [mais uma vez] ter de dizer do que amei: "Ei-lo: disforme".
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